Efeito Bumerangue


Bumerangue
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Aprendemos muitas coisas ouvindo, vendo e passando por experiências. Aprender por imitação é uma forma eficaz de aprender. Quantas coisas não aprendemos a fazer depois de as vermos serem feitas por alguém? Quantas coisas professores e professoras exemplificam, para que os seus discentes as saibam fazer! Reparem agora nos seguintes exemplos.
O menino A vai ter com um grupo de meninos e pergunta se pode juntar-se a eles. Eles dizem que não. Vai ter com outro grupo que está a jogar, pergunta se também pode participar, mas respondem que não. Tenta novamente outro grupo, pergunta se pode ir almoçar com eles e é novamente rejeitado. Uns tempos mais tarde, o menino A está com uns amigos seus, aproxima-se um menino, pergunta se pode juntar-se a eles e o que diz o menino A? Diz que não.
O menino C mudou de escola. Não conhecia ninguém no primeiro dia. Aproximou-se de um grupo de meninos, perguntou se podia juntar-se a eles, disseram que sim, apresentaram-se e ficaram todos a conversar. Noutro dia, estavam outros meninos a jogar futebol, perguntou se podia jogar com eles e logo foi introduzido numa equipa. Quando foi almoçar, perguntou a um grupo de meninos se podia sentar-se naquela mesa, fizeram espaço e começaram a conversar com ele. O menino C fez muitos amigos. Certo dia, chega um novo menino à escola, aproxima-se do grupo do menino C, pergunta se pode juntar-se a eles e o que diz o menino C? Diz que sim, apresenta-lhe os seus amigos e começam a conversar.
O menino A disse que não e o menino C disse que sim, porque estavam a repetir o que tinham aprendido. Aprenderam por imitação.
Um bumerangue depois de atirado, volta à mão de quem o arremessou. Ensinamos muito aos outros com as nossas atitudes. Se ensinamos os outros a excluir, eles aprenderão a excluir e ensinarão outros a fazer o mesmo. Chega o dia de nós querermos participar num jogo ou numa conversa e ouvimos um não. Do mesmo modo, se ensinamos os outros a incluir, eles aprenderão, ensinarão outros, e também nós seremos incluídos.
Aquilo que atiramos, regressa à nossa mão. Que o nosso “bumerangue” seja bondoso, generoso, honesto, leal, tolerante, alegre, optimista… tudo de bom!

Docentes, tenham orgulho no vosso trabalho!

Professor escrevendo no quadro
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“Os professores não são valorizados socialmente como merecem, não surgem nos noticiários que passam na televisão, vivem no anonimato da sala de aula, mas são os únicos que têm o poder de causar uma revolução social. Com uma das mãos, eles escrevem no quadro, com a outra, movem o mundo, pois trabalham com a maior riqueza da sociedade: a juventude. Cada aluno é um diamante que, bem lapidado, brilhará para sempre.”
CURY, Augusto, Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes, Lisboa, Editora Pergaminho SA, 2008

Ser educador/a

Educador/a é todo/a aquele/a que educa, ensina, orienta, cuida, alerta, corrige, exemplifica e acarinha. Não transmite apenas conhecimentos científicos, nem apenas regras, nem apenas a lógica aritmética, mas também valores, comportamentos, sentimentos e a matemática da emoção. *
Se é educador/a e se passa por momentos de desânimo, veja o vídeo que se segue.



* Termo de Augusto Cury.

A maior riqueza!

“Um ladrão rouba um tesouro, mas não furta a inteligência. Uma crise destrói uma herança, mas não uma profissão. O facto de não ter dinheiro não é relevante, porque tu és uma pessoa rica, pois possuis o maior de todos os capitais: a tua inteligência. Investe nela. Estuda!”
CURY, Augusto, Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes, Lisboa, Editora Pergaminho SA, 2008

Mensagem de Início de Ano Lectivo

Num colégio católico, no primeiro dia de trabalho, a directora transmitiu uma mensagem muito especial a todos os docentes, sobre o que cada um deveria procurar fazer durante o ano lectivo. As suas exigências foram as seguintes:
“Que o amor seja sincero. Detestem o mal e pratiquem o bem. Amem-se como irmãos e sejam gentis uns com os outros. Trabalhem e não sejam preguiçosos e sirvam o Senhor com dedicação e fervor. Sejam alegres na esperança que têm. Tenham coragem nos sofrimentos e nunca deixem a oração. Repartam com os crentes necessitados e recebam bem os que procuram hospitalidade. Peçam a Deus que abençoe aqueles que os tratam mal. Peçam para eles bênçãos e não maldições. Alegrem-se com os que estão alegres e chorem com os que choram. Vivam em harmonia de sentimentos. Não procurem honrarias, mas aceitem as ocupações mais humildes. Não se envaideçam com aquilo que sabem. Não paguem o mal com o mal. Procurem antes fazer o bem diante de todos. Façam tudo o que for possível da vossa parte para viverem em paz com toda a gente. Meus caros irmãos, não façam justiça por vossas mãos. Deixem que seja Deus a castigar, pois diz o Senhor na Sagrada Escritura: A mim é que pertence castigar; eu é que darei a recompensa. E diz também: Se o teu inimigo tem fome, dá-lhe de comer e se tem sede dá-lhe de beber. Ao fazeres isso, farás com que a cara lhe arda de vergonha. Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.”
 Novo Testamento, Carta Aos Romanos, Capítulo 12, Versículos 9-21.

Contrariar frustrações

“Quando os sonhos comandam a nossa vida, os surdos podem ouvir melodias, os cegos podem ver as cores, os derrotados podem encontrar energia para continuar. Quando não havia chão onde pudesse caminhar, Beethoven caminhou dentro de si mesmo, não desistiu da vida; pelo contrário, exaltou-a. Os sonhos venceram. O mundo ficou a ganhar.”*
Queridos alunos e alunas de todo o mundo,
Algum/a de vocês já ficou muito triste por não obter a classificação desejada numa prova, ou por a vossa média não corresponder às vossas expectativas? Algum/a de vocês está desanimado/a com a escola, sem vontade de continuar a trabalhar e a aprender por não encontrar nisso algum sentido, por achar que não é capaz de fazer melhor ou que não vai conseguir entrar para o curso que deseja?
As frustrações visitam a nossa vida muito frequentemente. Se as deixamos tomar conta da nossa existência, ficamos tristes, ansiosos e desprotegidos. Há que virá-las do avesso, dominá-las, controlá-las, ultrapassá-las. Nós é que fazemos as nossas escolhas, temos uma capacidade, para muitos desconhecida, de alcançarmos a serenidade e a satisfação na nossa vida. Aprender a lidar com as nossas frustrações faz-nos amadurecer.
Estava há pouco a ler um livro em que uma professora tentava animar uma aluna que estava muito triste com uma nota que tinha tido a matemática. A professora contou-lhe então a história de Beethoven. Beethoven era um verdadeiro génio da música. O que precisava para ser feliz era uma audição apuradíssima, compor e tocar o seu piano. No entanto, estava-lhe reservada a pior das frustrações. Beethoven começou a perder progressivamente a sua audição. Ficou extremamente deprimido, sem vontade de viver. Contudo, apercebeu-se que se encostasse o ouvido ao solo ou a abjectos, conseguia ouvir as vibrações das notas. Foi difícil no início, pois era difícil distinguir as notas nessas vibrações. Valeu-lhe também a memória que guardava dos sons. E ele conseguiu. Compôs músicas extraordinárias, como a famosa Sinfonia n.º 9 em Ré Menor, mesmo estando praticamente surdo. Ele tomou as rédeas do seu destino nas suas mãos.
Com esforço, com ânimo e com inteligência, vocês conseguem alcançar o sucesso. Superar uma frustração é em si um grande sucesso. Quer tenham de procurar outro método de ensino/aprendisagem, outro método de estudo, pesquisar noutros lugares ou pedir ajuda, há muito que podem fazer pelo vosso sucesso escolar e pelo vosso sucesso pessoal.
Força!
Bibliografia:
* CURY, Augusto, Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes, Lisboa, Editora Pergaminho SA, 2008

Trio de Boas Práticas

As diversas estratégias utilizadas numa sala de aula, podem marcar a diferença entre distracção e concentração, calma e ansiedade, motivação e falta de interesse.

Sala em U
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Sentar os discentes em semi-círculo, é sempre uma opção muito agradável e vantajosa. Enfileirados, não vêem todos os colegas, nem vêm uma série de expressões, o que pode gerar timidez, ou levá-los a ter de se virarem para trás, ficando mais irrequietos. Quando todos se vêem, vão se perdendo muitas inibições, aprende-se a falar diante dos outros, olha-se nos olhos, é estabelecida uma relação mais aberta entre os discentes.


Clave de Sol e Notas Musicais
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Ouvir música clássica suave nas aulas não distrai, pelo contrário. A música aliada à troca de informações melhora a concentração e, consequentemente, a assimilação de conhecimentos. Muitos discentes rejeitam-na de início, por não estarem familiarizados com este estilo musical. Não devemos desistir à primeira. Com o tempo, habituam-se, sentem-se mais calmos e começam a ter outro gosto pela escola. Quando mais cedo este hábito é introduzido, mais fácil é a sua aceitação.



Sentados em círculo, um senhor conta uma história
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Contar histórias é dar sabor àquilo que é transmitido e assimilado. As histórias humanizam uma série de informações, exemplificam, contextualizam, estabelecem empatia, clarificam conceitos, para além de contribuírem para estimular a arte da crítica.




Segundo Augusto Cury, se estratégias como estas são aplicadas, passados cerca de três meses, haverá uma grande diminuição da ansiedade e um aumento de concentração. Os discentes começarão a ter prazer em ir à escola.
Bibliografia:
CURY, Augusto, Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes, Lisboa, Pergaminho, 2008.

Head Shoulders Knees and Toes

If you are happy

Aprender pode ser divertido


Por vezes a aula acontece e, sem querer, acabamos por improvisar uma actividade lúdica e pedagógica.
Estava eu certo dia a ensinar expressões como “stand up”, “sit down”, “raise your arms”, turn around”, “jump”, “hop”… Queria testar se os meus discentes compreendiam este vocabulário. Então disse-lhes para ouvirem com atenção e para fazerem o que lhes dissesse.
Começou de forma simples. Dizia “stand up” e lá se levantavam. Depois “sit down” e sentavam-se. A certa altura, a repetição de certos movimentos gerou satisfação. Comecei a introduzir um certo ritmo, certas repetições, certas sequências e, quando dei por mim, estávamos a dançar. Só faltou a música.
“Stand up, turn around
Raise your arms, turn around
Hop, hop, jump, jump
Turn around, raise your hands and sit down

Stand up, sit down
Stand up, sit down
Stand up
Raise your arms, turn around
Raise your arms, turn around
Hop, hop, hop
Raise your arms, turn around
Jump, jump, jump
Raise your arms, turn around
Sit down”
Adoraram e pediram-me para repetirmos esta actividade. Garanto que aprenderam bem este vocabulário.
Para não ser apenas um exercício de compreensão, todos foram tendo a sua vez de vir à frente enunciar uma coreografia diferente, tendo o gosto de ver toda a turma a dançar conforme as suas instruções.

Warmer - Captar o interesse dos discentes e introduzir um tema

O elemento surpresa e o lado lúdico de uma actividade ajudam a captar a atenção dos discentes e a motivá-los.


Certa vez experimentei a técnica do puzzle. Tirei duas fotocópias de reproduções de um quadro de Monet e de outro de Van Gogh. Cortei-os e prendi-os no quadro desordenadamente. Os discentes ficaram curiosos para saber de que imagens se tratavam. Disse que iria escolher um aluno e uma aluna para ir ao quadro fazer os puzzles. Voluntários? Não faltaram mãos no ar.
 
                                               Claude Monet                                               Vincent Van Gogh


Feitos os puzzles começámos a falar sobre as imagens. Se já as conheciam, se sabiam que eram reproduções de quadros famosos, se sabiam de quem eram; e perguntei também o que faziam as pessoas presentes nas imagens e quais seriam as suas profissões. Responderam bem às questões e foi assim introduzido o tema da aula. As profissões.
 
Imagem do quadro de Monet retirada daqui.
Imagem do quadro de Van Gogh retirada daqui.

O humor é uma arma poderosa

Querido aluno, querida aluna,
Sentes-te triste? Fazem-te mal? Não sabes o que fazer?
Não tenho uma receita infalível para ti, mas algumas palavras.
Todos aqueles que procuram ofender, que riem de nós, que humilham e magoam de diversas formas, têm o seu público preferido: os que baixam os olhos, os que choram, os que demonstram o quanto se sentem mal com isso.
Não é fácil, mas há uma forma de lidar com essas situações. Muitas vezes resulta absolutamente, outras não. Mas nunca podemos deixar de tentar.
Quem mostra boa disposição, demonstra que está seguro de si. Quem está seguro de si, normalmente não é público-alvo daqueles que agridem verbalmente. Há duas coisas que ajudam muito.
Mostrar que não ficamos incomodados com certos comentários. Acreditar que eles não nos atingem. Nunca acreditar nos comentários depreciativos, mas saber que quem os faz é porque tem necessidade de se sentir grande. No fundo, os nossos agressores não estão seguros de si próprios. Também têm os seus problemas e sofrimentos.
Outra coisa muito importante é lidar com isso com humor. Responder com humor a um comentário maldoso e rir com boa disposição, faz com que os outros riam connosco em vez de se rirem de nós. Às vezes não sabemos logo o que dizer. Mas como os comentários maldosos se repetem, podemos pensar no que dizer na vez seguinte. Vou dar alguns exemplos que algumas crianças partilharam comigo. Um menino disse-me que quando o chamam “caixa de óculos” ele responde: “Eu uso os óculos, não a caixa.” Outro menino disse-me que uma vez gozaram com os seus dentes e o chamaram de vampiro. Ele respondeu: “Ya, eu sou o Edward Cullen*.” Uma piada inesperada pode salvar a situação.
É claro que há casos mais graves. Há casos em que os adultos se envolvem para ajudar e também têm muitas dificuldades em fazê-lo. Mesmo assim, procura sempre a ajuda de um adulto. Não estamos sozinhos neste mundo. Há sempre alguém que nos pode ajudar.
Recomendo auto-estima e boa disposição. Tenta não pensar muito nas mágoas, porque quem as causa pouco pensa também.
Um grande abraço para ti!

*Personagem fictícia da saga Twilight de Stephenie Meyer

Velvet Carochinha - Uma iniciativa brilhante

Quero dar os meus parabéns ao Grupo Vocal da Escola Básica 2, 3 da Maia, na Ilha de São Miguel nos Açores, pelo seu magnífico projecto. É muito importante que hajam actividades carregadas de sentido para as crianças, os adolescentes e os jovens. A combinação que fizeram de música rock com canções tradicionais infantis é maravilhosa e inspiradora. Aplaudo projectos como este. Tenho a certeza que todos os que fazem parte de “Velvet Carochinha” estão muito felizes. Eu, pessoalmente, adoro! Os meus parabéns! Continuem. Bem hajam!
Deixo aqui um exemplo das suas canções que podem ser ouvidas no youtube.

A correcção de comportamentos de indisciplina na aula – O modelo de Gordon

“O modelo de Gordon* pretende fomentar uma boa relação entre professores e alunos, isto é, uma relação aberta e transparente, assente na preocupação pelo outro (caring), na interdependência e na satisfação de necessidades mútuas, mas também na demarcação que permite ao outro crescer na sua individualidade, isto é, na autodirecção, auto-responsabilidade, autocontrolo, autodeterminação, auto-avaliação. Essa relação implica sobretudo comunicação e novas competências para o professor, as quais se exprimem num novo vocabulário: colaboração, cooperação, negociação, confronto, resolução de problemas, resolução de conflitos, melhoria dos contactos interpessoais.”
*Gordon, Thomas (1974). TET – Teacher Effectiveness Training. New York: Peter Wyden
In, Estrela, Maria Teresa, Relação Pedagógica, Disciplina e Indisciplina na Aula, Porto, Porto Editora, Lda, 4ª ed.,2002.

Indisciplina

“Nascida da influência da obra de Raths, Harmin e Simon, “Values and Teaching”, a corrente de clarificação de valores traz uma contribuição original para a compreensão dos problemas disciplinares. Considerando que a vida pessoal tira o seu sentido dos valores livremente assumidos, é função da escola ajudar os alunos a escolherem os seus valores e a agirem de acordo com eles. (….) Na escola, a falta ou a indefinição de valores está na origem de situações conflituais que levam à indisciplina. (…)
(…) Uma série de actividades individuais ou grupais, envolvendo situações reais e simuladas como a resolução de dilemas, definição de objectivos de vida a curto e médio prazo, jogo de papéis, identificação com heróis da vida real ou do cinema e literatura, permitirão ao aluno uma progressiva tomada de consciência dos seus valores pessoais (…).
(…) Deixar o aluno sofrer as consequências dos seus actos é uma maneira de o levar a reflectir mais sobre as suas decisões. (…)
In, Estrela, Maria Teresa, Relação Pedagógica, Disciplina e Indisciplina na Aula, Porto, Porto Editora, Lda, 4ª ed.,2002.

Arte na Sala de Aula - Exemplo II


                                                  Badestrand, Emil Nolde

Ø  Frédéric Chopin, Préludes, Op. 28, No, 5 in D.

Ø  Franz Joseph Haydn, The Seven Last Words, Sonata VI: Consumatum est!.






“E há quem goste muito de cenas
e tocar a guitarra sentimental de todos os salões e de todas
            as praias adolescentes, lânguidas como um
            veraneio vagaroso,
enquanto uns mais ficamos sozinhos…”

José Luís Piquero
Trad. Joaquim Manuel Magalhães


Objectivos:
ü  Associar diferentes obras de arte a um tema comum;
ü  Desenvolver competências de produção escrita.

Tema: Human feelings

Fontes:
- Urban, Martin, Catalogue Raisonné of the Oil Paintings, Volume Two 1915-1951, translated from the German by Gudrun Parsons, Sotheby’s Publications, London, 1990.
- Chopin, The 21 Nocturnes, The 26 Préludes, Philips Classics Productions, 1994.
- Haydn, The Seven Last Words,  Linn Records, 2001.
- Magalhães, Joaquim Manuel (trad.), Poesia Espanhola, Anos 90, Relógio d’Água, Lisboa, 2000
- Jorge, João Miguel Fernandes, Sombras, Relógio d’Água, Lisboa, 2001


Actividade:
            Os alunos observaram a reprodução do quadro de Emil Nolde, Badestrand, para comentarem as expressões das figuras na imagem - especulando acerca de como estariam a sentir-se - ouvindo de seguida dois excertos musicais -  um de Chopin e outro de Haydn - tendo de associar cada um destes excertos às figuras que viam representadas na imagem, justificando a sua escolha, através da descrição dos sons que ouviram, assim como das expressões das figuras na imagem, explicando o que os levou a relacioná-los.
            Depois de dialogarem sobre a imagem com o auxílio dos materiais musicais, os alunos relacionaram a mesma imagem com o excerto do poema “Retiro Sentimental” de José Luís Piquero, para depois escreverem um texto, no qual se reportavam às pessoas que estavam na praia, especulando sobre porque estariam lá, como se estariam a sentir e qual seria a relação entre elas.

Razão da escolha:
            Escolhi este conjunto de materiais, pois a meu ver eles encaixam-se muito bem uns nos outros, e serviram para preparar com qualidade o exercício de produção escrita dos alunos, fornecendo-lhes muitas ideias para desenvolverem no seu texto.
            Escolhi esta imagem de Nolde porque nela “O homem e o humano são … imperfeição, incompletude e sofrimento.” (Sombras p. 98) Atraiu-me o facto de ver “…os seus personagens, sob a influência da cor e da solidão…” (Sombras p. 96), o que lembra “…por demais o interior do homem e do mundo…” (Sombras p. 97). Foi nesta linha de raciocínio que explorei a figura central na imagem, que parece só, triste, “incompleta”, contrastando com as restantes figuras. Aproveitei este contraste na imagem, assim como o contraste entre os dois excertos musicais, de modo a que um deles fosse reconhecido na figura central da imagem, e o outro nas restantes.
            Escolhi o Prelúdio número cinco em Ré de Chopin, pela sua melodia rebuscada, que corre num ritmo alegre e ligeiro, a qual se adequa convenientemente às figuras em segundo plano na imagem, que parecem estar alegres, dançando ou ginasticando de braços no ar.
            Optei pelo início da Sonata VI de The Seven Last Words de Haydn, pelos seus sons tristes, solitários, sofridos, lânguidos, que tão bem caracterizam a figura central na imagem de Nolde, a qual se encontra só, de braços cruzados, não parecendo estar incluída no grupo por trás de si.
            Continuei a explorar esta imagem em conjunto com um excerto de Piquero (o qual faz parte do excerto deste mesmo autor utilizado no início da unidade didáctica), não só para fechar o círculo, como também vi nestas duas obras de arte uma ligação perfeita, a qual é estabelecida através da praia - pois tanto o excerto, como o título da imagem, fazem referência a este local – e através da ideia de solidão que é expressa em ambas.

Reacção dos alunos:
            Os alunos superaram as minhas expectativas nesta actividade pelo facto de muitos deles terem tomado a iniciativa de participar, fazendo-o da forma pretendida. Em relação à imagem, foram da opinião de que a figura central parecia triste por estar posta de parte. A este respeito argumentaram que isto podia dever-se a uma atitude de xenofobia por parte das outras figuras que se encontravam por detrás da figura central. Quanto a estas, os alunos referiram que pareciam alegres e que estavam a dançar. Associaram o excerto musical de Chopin às figuras que pareciam alegres, apresentando como argumento o facto de estas estarem muito activas, a dançar e parecerem muito contentes. Associaram o excerto de Haydn à figura central pelo facto de esta parecer triste e solitária. Para esta associação foi útil o exercício com adjectivos que os alunos executaram enquanto ouviam os dois excertos musicais. Associaram estes da forma pretendida aos excertos.
No que se refere ao texto produzido pelos alunos, poucos fizeram referência directa à imagem e ao excerto de Piquero, mas em geral foram capazes de se reportar à situação suscitada pela imagem e escreveram textos bastante imaginativos acerca dela. Alguns alunos abordaram questões de xenofobia, enquanto muitos outros escreveram sobre uma festa que estava a ter lugar na praia, na qual uma rapariga não era bem acolhida pelo grupo.



Arte na Sala de Aula - Exemplo I

THE THINGS THAT MATTER

“Now that I’ve nearly done my days,
     And grown too stiff to sweep or sew,
I sit and think, till I’m amaze,
     About what lots of things I know:
Things as I’ve found out one by one –
     And when I’m fast down in the clay,
My knowing things and how they’re done
     Will all be lost and thrown away. (…)”

Edith Nesbit


Objectivos:
ü  Identificar o  present perfect
ü  Identificar a estrutura deste tempo verbal
ü  Identificar o significado do present perfect
ü  Escrever um texto relacionado com o tema usando o present perfect

Tema: The Greatest Inventions

Fonte: RAMOS, Maria Adelaide, Poemas escolhidos para uso em aulas de inglês, FLUL, Lisboa, 2004/ 2005

Actividade:
         Os alunos leram o excerto do poema “The Things that Matter” de Edith Nesbit, de forma a identificarem as orações em que o verbo se encontrava no present perfect. De seguida, salientaram essa estrutura gramatical de forma a analisarem como este tempo verbal é composto. Finalmente, tiraram pelo sentido das frases o significado que este tempo verbal expressa.

Razão da escolha:
         Escolhi este poema pelo facto de conter a estrutura gramatical que pretendia didactizar, para que os alunos a identificassem e a percebessem ao observarem um exemplo, dentro de um contexto que faria a ponte para o texto a ser escrito depois do momento gramatical.
         Uma vez que o excerto se reporta ao conhecimento que se vai adquirindo ao longo da vida e que a partir de um certo momento é ultrapassado e esquecido, aproveitei esta questão para, a partir dela, os alunos reflectirem sobre os avanços da tecnologia, as novas descobertas e como o saber anterior é anulado pelo que se segue.

Reacção dos alunos:
         Em geral os alunos foram capazes de identificar quais as orações que continham um verbo no present perfect, conseguindo a partir daí reconhecer a sua estrutura. Tiveram dificuldade em perceber, a partir do exemplo, o que este tempo verbal significa e quando deve ser utilizado. Neste momento, foram-lhes fornecidos apontamentos retirados de BIBER, Douglas, et alli,  Student Grammar of Spoken and Written English,Longman, 2003.
         Nas suas composições foram focados factos muito interessantes, a respeito do tema proposto, como por exemplo, a descoberta de que a terra é redonda, que veio substituir a ideia de que era quadrada; o facto de já muitas pessoas não saberem conduzir carroças, pois agora todas conduzem carros, entre outros.

Propsta de trabalho dada aos alunos


Read the following poem.

THE THINGS THAT MATTER

“Now that I’ve nearly done my days,
     And grown too stiff to sweep or sew,
I sit and think, till I’m amaze,
     About what lots of things I know:
Things as I’ve found out one by one –
     And when I’m fast down in the clay,
My knowing things and how they’re done
     Will all be lost and thrown away. (…)”

Edith Nesbit

Stiff (adj) – if a part of your body is stiff, your muscles hurt and it is difficult to move.
Clay (n) – a type of heavy soil that is used for making pots, bricks, etc.


1. Quote two phrases from the poem in which the verb is in the present perfect.

____________________________________________________________________________________________________________________________________________

2. Draw a circle around the auxiliary verb and a rectangle around the main verb.

3. The auxiliary verb is _____________ and it is in the _________ tense. The main verbs are in the __________   __________.

4. Are the main verbs regular?
5. How do the regular verbs end in this tense?
6. Reread the phrases you quoted above. What is the verb tense referring to?
a) An event which took place in the past and is over at the present time.
b) An event which began sometime previously and continues to exist up to the present time.
c) An event which began a long time ago.

A Imaginação

"A imaginação é mais importante que o conhecimento" (A. Einstein)

Os Conformistas

"Os conformistas transformam os fracassos em medo, os determinados transformam as derrotas em coragem." (Augusto Cury)


Sejamos DETERMINADOS!

O Código da Inteligência







“Em que escolas se treinam as pessoas para decifrarem o código do eu enquanto gestor psíquico? Entristece-me como pesquisador do funcionamento da mente, saber que temos centenas de milhares de escolas no mundo, mas que não há uma única escola que estruture o eu para ser líder da psique. Esta situação é tão aberrante como desejar que os jovens dirijam um teatro sentados na plateia como meros espectadores, ou que pilotem um avião sentados junto dos outros passageiros e não na cabine de comando.”




(Augusto Cury em O Código da Inteligência)
Imagem retirada daqui
Creio que é um tema interessante para debater. Deixe o seu comentário.

Mary & Max - Síndrome de Asperger - Legendado


http://www.youtube.com/watch?v=mSSCIqsvQK4

PHDA – Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção

 “A PHDA é uma perturbação neuro-comportamental, que representa uma desadaptação na vida quotidiana do indivíduo a nível pessoal, social/ escolar e familiar.”
(The Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fourth Edition (DSM-IV), 1994)
Principais características
Esta perturbação caracteriza-se pelo défice de atenção, pela impulsividade, excesso de actividade motora e vocalizações frequentes.
Como actuar na sala de aula
- Podemos direccionar a aprendizagem dos discentes que apresentam esta perturbação para tarefas práticas, pois eles aprendem fazendo. Aprendem por tentativa e erro.
- É importante dar-lhes pistas orientadoras.
- Vale a pena investir em material didáctico lúdico. Eles aprendem melhor com tarefas curtas, estimulantes e desafiadoras, pois aborrecem-se com facilidade. É-lhes muito importante o reforço positivo, mas não em excesso. Deve-se evitar castigos injustificados.
- É importante estabelecer uma boa relação com manifestações de carinho, mostrando-lhes que estamos do seu lado e que queremos ajudar.
- Devemos dar-lhes tempo extra. Também podemos deixá-los ter um relógio em cima da carteira para poderem controlar o seu tempo.
- As regras devem ser rígidas, mas a nossa atitude deve ser calma e positiva.
- É importante evitar que a criança tenha muitos objectos na sua carteira e ela também se deve sentar à frente, de costas para os colegas, para não se distrair. Deve ficar longe da janela e de outras fontes de distracção.
- É bom usar uma linguagem clara e manter contacto ocular com manifestações de incentivo.
- Devemos certificar-nos de que a criança compreendeu as instruções pedindo-lhe que repita o que ouviu.
- A rotina é-lhes muito importante. Há que evitar fazer muitas mudanças.
- Como vão perdendo a concentração ao longo do dia, será melhor fazer de manhã as actividades que exigem maior concentração.
- Algumas tarefas ajudam a desenvolver a concentração como exercícios para completar frases, procura de sinónimos, labirintos e puzzles.
- Como a organização é extremamente importante, devemos ensiná-los a tomar notas; a procurar informação, a recolhê-la, a organizá-la e a fazer resumos. Também é bom dividir as tarefas em pequenas etapas e sugerir que façam uma de cada vez. Devem ser bem definidas e ter uma curta duração. Podemos também sugerir que verifiquem o seu trabalho depois de pronto e fazer disso um hábito.


Veja um vídeo sobre PHDA
Sites que recomendo:

Arte na Sala de Aula

Fonte da Imagem - Vincent Van Gogh


Uma vez que utilizamos variadíssimos materiais para auxiliar ou servir de base ao processo de ensino-aprendizagem, como por exemplo textos, imagens e música, porque não utilizar materiais de alta qualidade? Porque não utilizar reproduções de verdadeiras obras de arte?
Aprendi isto com um professor da minha universidade. A sua ideia era que os discentes já têm contacto no dia-a-dia com imagens, textos e canções bastante populares e comuns. O que não é frequente é a sua familiarização com obras de arte. Portanto, se vamos utilizar uma imagem, porque não usar uma reprodução de um quadro de um pintor conceituado? Serve o mesmo objectivo em termos de ensino, – nomeadamente ensinar um item gramatical, vocabulário ou servir de tema de debate -para além de dar a conhecer aos discentes um pouco sobre arte e de os educarmos no sentido de a apreciar. Muitos não têm oportunidade de a conhecer sem ser na escola.
Ao seleccionarmos este tipo de material e ao considerarmos o público-alvo, podem surgir algumas preocupações:
“Os textos literários são muito difíceis.”
Sim e não. Sim, enquanto obras literárias estudadas como tal. Em termos linguísticos, muitos são bastante acessíveis. Se queremos, por exemplo, ensinar advérbios de tempo, e esse texto serve para fornecer exemplos, então a abordagem torna-se mais simples.
“Os discentes podem não gostar e podem rir.”
É certo que muitas obras de arte causam estranheza. Daí a questão de se educar os discentes neste sentido. Creio que o factor “selecção de material” é muito importante e deve ser bem pensado. No caso de haver reacções negativas, o docente poderá dizer com toda a naturalidade que compreende a estranheza causada, que há obras que precisam ser compreendidas. E porque não dar uma breve explicação sobre a obra em questão? Estaremos a educá-los culturalmente.
Mas a estranheza também pode ser usada a nosso favor. Pode servir de warmer. Não é difícil, por vezes, conseguirmos a atenção dos discentes no início da aula? E se pusermos a tocar alguma música que nunca ouviram? E se eles virem um pano a tapar algo? Não ficarão curiosos? E quando destapamos, eles vêem uma fotocópia de qualidade de um quadro ou escultura absolutamente surpreendente. Será que não captamos a sua atenção?
“Os meus discentes são muito novos.”
Mais uma vez o factor “selecção” é muito importante. Para além disso, “de pequenino é que se torce o pepino”. E no que se refere a textos, não é necessário utilizá-los na íntegra. Pode ser um excerto, uma frase, um verso.
Prometo que darei exemplos concretos em breve de experiências que tive na sala de aula.
Fiquem atentos, meus leitores!

Síndrome de Asperger – Grandes Qualidades

Se é diagnosticada a síndrome de Asperger ao seu filho ou filha, aluno ou aluna, está perante alguém singular e com qualidades admiráveis.
Sendo as suas características mais evidentes na infância, tornando-se cada vez mais diluídas na idade adulta, a criança que apresenta características desta síndrome é honesta, fiável, dedicada, determinada e apaixonada pelos seus interesses particulares. Aprofunda estes seus interesses ao mais ínfimo pormenor, tornando-se especialista nessa área. Muitas vezes sabe mais sobre certos animais, ou rochas, ou astros do que os seus docentes. Gosta de rotinas e de saber o que vai acontecer a seguir, tem um código moral forte, é inteligente, tem uma memória visual e a longo prazo. Tem uma linguagem elaborada e bem articulada, por vezes desajustada, mas também brilha e encanta frequentemente.
Tem as suas dificuldades como todos nós. Nomeadamente na comunicação e interacção social. Tem dificuldade em exprimir as suas emoções, em interagir socialmente, em interpretar expressões e linguagem não verbal, em compreender quando os outros mentem e tende a isolar-se. O seu comportamento não lhe é intuitivo, mas por imitação e racionalizado. Também não entende o sarcasmo, as nuances nem as metáforas. Tem dificuldade em distinguir a ficção da realidade. Leva tudo à letra.
Como ajudar a ultrapassar estas dificuldades: 4 dicas básicas.
1-      Organização
2-      Rotina
3-      Linguagem objectiva
4-      Explicar/ ensinar comportamentos sociais

Organização
Deve-se ensinar e ajudar estas crianças a terem tudo organizado – roupa, material escolar, objectos pessoais, utensílios domésticos, etc., – para saberem sempre onde encontrar o que precisam. Isto facilita-lhes a concentração, a aquisição de conhecimentos e bom desempenho nas suas tarefas.
Rotina
É importante que tenham uma rotina que sofra o mínimo de alterações possível. Saber o que se segue e repetir frequentemente determinados procedimentos, ajuda estas crianças a sentirem-se seguras e a saber interagir em contextos que já lhes são familiares.
Linguagem Objectiva
Este é um ponto fulcral. Com estas crianças a linguagem tem de ser a mais objectiva e clara possível. Se nós dissermos, por exemplo, “Está a chover a potes.” Uma criança com estas características irá responder imediatamente: “Não, chove chuva, água.” Se queremos dizer que alguém estava demasiado seguro da sua resposta, mas falhou, e utilizamos a expressão: “Ele caiu do cavalo.” A criança irá perguntar: “Mas qual cavalo?”
Explicar/ ensinar comportamentos sociais
Há situações que não lhes são claras sem uma explicação apropriada. Vejamos o seguinte exemplo. Uma criança com estas características vê um rapaz a piscar o olho a uma rapariga. Qual será o seu pensamento provável? Que o rapaz tem qualquer coisa no olho. É necessário explicar com clareza a esta criança que fazer aquilo com o olho é uma forma do rapaz dizer à rapariga, sem ser com palavras, que gosta dela.

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