Dicas para dar explicações e instruções segundo Penny Ur

Um bom método de ensino não deve ser unicamente expositivo. Mas por muita interacção que haja, por muito que os discentes participem no seu processo de aprendizagem, são inevitáveis os momentos expositivos. Não devem ser demasiado frequentes, nem demasiado longos; mas há que apresentar novos conhecimentos, há que dar explicações sobre a matéria quando os discentes colocam dúvidas e há que dar instruções em relação às tarefas a desempenhar. Seguem-se algumas orientações propostas por Penny Ur em A Course in Language Teaching, Practice and theory.
1.       Preparação
2.       Ter a atenção da turma
3.       Dar as instruções mais do que uma vez
4.       Ser sucinto
5.       Ilustrar com exemplos
6.       Feedback

1.       Preparação
Podemos pensar muitas vezes que temos preparada uma explicação bem clara do que vamos apresentar e que sabemos que pontos necessitam de um melhor esclarecimento. Contudo, é preciso ter em conta que, por vezes, aquilo que é bem claro para um docente pode não ser tão claro para os discentes. Vale a pena pensar bem nas palavras, nos exemplos e nas imagens a utilizar.
2.       Ter a atenção da turma
Os discentes distraem-se com alguma facilidade e frequência. Por vezes, aquilo que não ouvem num determinado momento pode ser compensado mais tarde. Mas outras vezes, a perda de certas informações fá-los enfrentar algumas dificuldades. Ao dar instruções para um trabalho de grupo, por exemplo, estas devem ser dadas antes da divisão da turma em grupos, pois os discentes poderão começar a dar atenção aos seus colegas. Também se deve dar instruções antes de distribuir o material a utilizar, pois os alunos e as alunas poderão distrair-se com esse material, principalmente se contiver imagens apelativas.
3.       Dar as instruções mais do que uma vez
Repetir e parafrasear as instruções pode fazer toda a diferença. Alguém que não tenha ouvido à primeira vez, pode ouvir à segunda. Alguém que não tenha compreendido por umas palavras, pode compreender por outras. Também ajuda escrever as instruções no quadro para além de as dizer.
4.       Ser sucinto
O tempo de concentração dos discentes é breve. Assim, também as explicações devem ser breves, compactas e claras. Deve-se pensar muito bem no que se deve incluir e omitir.
5.       Ilustrar com exemplos
As explicações teóricas tornam-se mais perceptíveis quando acompanhadas de exemplos, ilustrações e demonstrações.
6.       Feedback
Depois de terminar uma explicação, devemos certificar-nos de que a turma percebeu. Mas não basta perguntar: perceberam? Muitas vezes respondem que sim, sem terem realmente compreendido. É preferível pedir-lhes que demonstrem que perceberam através de exemplos seus ou parafraseando o que foi explicado.

Bibliografia
UR, Penny, A Course in Language Teaching, Practice and theory, Cambridge, Cambridge University Press, 8ª ed., 2002.

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